Domingo pela manhã na praia
de Camboinha
Josivan Campos Brasil
E
eu aqui, nesta praia deserta e tão pertinho da capital. Logo ali, se for um bom
caminhante, dá para ir a pé.
Mas
afinal, o que é o tempo? E mais: como o enxergamos?
Nos
primeiros raios de sol, o romper da aurora — como se dizia no interior — esta
praia começava a acolher todos, sem distinção de qualquer natureza. De repente,
antes que o sol esquentasse, ficou bem cheinha de gente. E assim é um dia de
praia, com tudo que tem direito: músicas de sons e gostos variados,
churrasquinhos de todos os tipos, iguarias diversas... Mas, na verdade, quem se
diverte de verdade são as crianças.
Crianças:
pura essência, sem preocupação com etiquetas, sem horários, e que bom, esquecem
até o celular.
Mas
vem a maré alta, o cansaço, o almoço atrasado.
O
pôr do sol — tão lindo, tão despedida, tão entrega de luz à amada Lua, que já
timidamente se apresenta no horizonte. Esse encontro, por mais breve que seja,
é lindo e eterno, na medida em que se renova a cada dia.
E
para os amantes da noite, esta bela praia vos convida para uma noite de Lua de
Prata.
Meu
amado irmão, compartilho com você pensamentos de vivência boa, de um dia de
praia em Camboinha.
Resposta à Mensagem
Por Hiran de Melo
Meu
sapientíssimo mestre, amigo e irmão Josivan,
Recebo
com alegria tua crônica sobre a manhã de domingo em Camboinha. Ao lê-la, senti
o mesmo sopro poético que emana da canção Tarde em Itapoã, de Toquinho e
Gilberto Gil. Tuas palavras transformam o cotidiano em poesia, e a praia, que
poderia ser apenas cenário, torna-se personagem viva — acolhendo,
despedindo-se, renovando-se.
O tempo como experiência
Tu
perguntas: “Mas afinal, o que é o tempo?”. E tua narrativa responde sem
precisar de definições: o tempo é o nascer do sol que convida, é a maré que se
impõe, é o pôr do sol que se entrega à lua. É o ciclo que se repete e, por isso
mesmo, se eterniza. Assim como na música, onde o tempo é vivido em sua
lentidão, tu nos mostras que o tempo da praia é o tempo da vida.
A infância como essência
Achei
belíssima tua observação sobre as crianças. Elas, livres de etiquetas e
celulares, são a própria metáfora da pureza. Na tua escrita, a infância aparece
como guardiã da alegria, lembrando-nos que a felicidade não exige nada além de
espontaneidade.
A poesia da despedida
O
pôr do sol que se entrega à lua é uma imagem que ecoa diretamente na tradição
lírica brasileira: o encontro breve, mas eterno, entre luz e sombra. É o mesmo
convite que a canção nos faz — viver o instante como se fosse infinito.
Partilha e afeto
O
gesto de dirigir tuas palavras ao “amado irmão” dá ao texto uma dimensão íntima
e fraterna. Não é apenas uma descrição de um dia de praia, mas um presente de
memória e afeto. A poesia se torna ponte entre experiência e partilha.
Por fim
Josivan,
tua crônica é um canto de simplicidade e beleza. Assim como Tarde em Itapoã,
ela nos lembra que a vida se revela nos pequenos gestos: o sol que nasce, a
criança que brinca, o vento que sopra, o irmão que escuta.
Que
continuemos a escrever e a viver esses instantes, pois são eles que nos fazem
eternos.
Comentários
Postar um comentário