Carta
a uma Amiga
Por
Hiran de Melo
Minha
cara,
Escrevo-lhe
com a serenidade de quem busca clareza. Percebo que, embora caminhemos
próximos, nossos ritmos têm sido diferentes: enquanto tento encontrar o meu
próprio tempo, a frequência das suas perguntas acaba criando um ruído que me
afasta da minha calma. Esse cuidado em forma de questionamento, que para a
senhora é um convite, para mim soa como um desafio que ainda não consigo
abraçar.
Às
vezes, na vontade de ajudar, buscamos respostas prontas para as dores do outro.
Mas sinto que o que mais preciso agora não é de soluções externas, mas de
espaço para que eu mesmo possa escutar o que sinto. Quando as suas certezas
tentam preencher o meu silêncio, acabo perdendo o contato com a minha própria
voz.
A Delicadeza da Presença
O
que a senhora oferece como zelo, meu momento atual recebe com certa fadiga.
Existe uma fragilidade em mim que pede menos expectativas e mais repouso.
Quando a ajuda chega com um tom de insistência, ela acaba mudando de cor:
ü Em
vez de leveza, ela traz cansaço;
ü Em
vez de consolo, ela traz inquietação;
ü Em
vez de harmonia, ela se torna distração.
O Espaço do Sentir
A
minha própria cobrança interna já me ocupa espaço demais, e o que mais procuro
agora não são respostas ou avaliações, mas apenas o conforto de um silêncio
partilhado.
Sinto
que, neste momento, o melhor modo de honrarmos o que vivemos é dar uma pausa no
nosso caminho. Insistir neste laço agora seria forçar um encontro que o meu
coração ainda não consegue habitar, apesar de saber que a sua intenção é a
melhor possível. Para que eu possa me reencontrar com calma, preciso que
estejamos, por agora, um pouco mais distantes.
Agradeço
imenso pelo seu zelo e peço apenas que respeite este meu tempo de silêncio e
paz.
Para
que eu possa me reencontrar com calma, preciso que estejamos, por agora, um
pouco mais distantes. Agradeço imenso pelo seu zelo e peço apenas que respeite
este meu tempo de silêncio e paz.

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