O que é a vida? Responda-me se souber!

Por Rita Alves

 

Quão enigmática é a vida!

O que é a vida? Responda-me se souber!

É encontro, é perda, é amor e dissabor!

É um livro sendo escrito sem letras para quem sabe “ler”;

É um mistério que almas sensíveis vão decifrando com amor e sabedoria ao longo dos anos!

Por vezes nos deslumbra e estarrece com as maravilhas que se apresentam;

As vezes materializa aquilo que sonhamos, que sonhamos dormindo e acordados;

Nos desperta forças e poderes adormecidos, despertados pelas mais distintas emoções de medo e amor;

Quantas surpresas nos apresentam as curvas que trilhamos;

Quão linda e enigmática, capaz de fazer ciúme aos anjos;

Tal qual um labirinto, quando achamos que temos certeza dos percursos, se apresentam percalços que nos ferem e nos fortalecem nessa dualidade do viver;

Nos oferecendo pedras que hora se apresentam e nos deslumbram tais quais rubis e diamantes, lindas, etéreas, fortes e lapidadas, por vezes, pontiagudas, a nos ferir;

Quantas incertezas compõem o presente e o porvir!

Tão profundo quanto um poema sendo tecido anos a fio, uma hora romântico e apaixonado, imerso em sonhos; outros, tipificados em versos cheios de dor, melancolia, frustração;

Quão enigmática é a vida! O que é a vida, responda-me se souber!

É viver, o amor e a dor, o efêmero e o etéreo, a morte e a vida, a presença e a saudade ...

É está disposto a viver o bônus e o ônus dessa escola traiçoeira, que como diz o poeta, mata seus discípulos antes que eles aprendam tudo;

É magia que dilacera e deslumbra;

ansiando compreender o incompreensível, numa busca apaixonada, sedenta pela fonte da vida, tal qual as corsas almejam as fontes de água, assim é minha alma, buscando as respostas, buscando o eterno, e o Eterno;

Essa é a vida, sendo vivida em sua dualidade, num embate entre  matéria e espírito, escrita nas entrelinhas do que é dito e do que não é dito, daquilo que é oculto e daquilo que é revelado;

O que é a vida, responda-me se souber!

É uma linda melodia que penetra a alma daqueles que sabem sonhar!

Breves considerações sobre: "O que é a vida?"

Por Hiran de Melo

O poema define a vida não como uma resposta estática, mas como um processo contínuo de decifração e dualidade. A autora utiliza uma linguagem lírica para descrever a jornada humana como uma escola de aprendizado constante, marcada por surpresas e incertezas.

A Vida como um Embate e Sobrevivência

Diferente de uma visão meramente contemplativa, o poema apresenta a vida como uma jornada de impacto físico e emocional, quase um "soco no estômago" para quem o lê.

  • A "Escola Traiçoeira": O texto não suaviza o aprendizado; ele descreve a vida como uma escola que "mata seus discípulos antes que eles aprendam tudo". É uma caminhada pesada onde o conhecimento vem através do esgotamento.
  • O Ferimento Necessário: A dualidade não é apenas teórica; ela é sentida na pele através de pedras "pontiagudas" que ferem o caminhante. A vida é apresentada como algo que "dilacera" antes de deslumbrar.
  • O Labirinto de Percalços: O percurso não é linear. Quando o indivíduo crê ter certeza do caminho, o labirinto impõe obstáculos que testam a resistência da alma.

O Peso da Dualidade e o Estrangulamento da Existência

A análise da "caminhada pesada" revela que a beleza mencionada pela autora está intrinsecamente ligada à dor e à melancolia.

  • O Amálgama de Dor e Sonho: A vida é tipificada em versos cheios de frustração e melancolia, sugerindo que o "romantismo" é apenas uma das faces de uma realidade muitas vezes opressora.
  • O Embate Constante: A existência é um "embate" entre matéria e espírito. Esse conflito gera uma tensão constante, onde o ser humano busca "compreender o incompreensível" enquanto é consumido pela própria busca.
  • O Efêmero e a Saudade: A presença constante da morte e da saudade confere um peso existencial ao presente, tornando a melodia da vida algo profundo e, por vezes, angustiante.

A Autenticidade no Olho do Furacão

Embora o peso seja enfatizado, a obra sugere que é justamente nesse cenário de incertezas e dores que a alma se fortalece.

  • A Decifração pela Dor: O mistério da vida só é decifrado por "almas sensíveis" que aceitam o ônus dessa trajetória.
  • O "Poder-Ser" Diante do Inevitável: Sob uma ótica existencialista, o peso da caminhada é o reconhecimento da nossa finitude e da responsabilidade de construir sentido em meio ao caos.

A vida, portanto, não é apenas uma melodia suave, mas uma composição complexa que exige a coragem de enfrentar o que dilacera para, enfim, tocar o que é eterno.


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