“Vejo pessoas todos os dias.

 Umas que vem,

 Outras que vão

 O que elas têm em comum?

 

Todas vivem!

Umas por alguns dias,

Outras por mais um tempo...

 

Umas acabam,

Outras seguem em frente.

Umas não aguentam,

Outras lutam até o fim.

Mas todas querem viver...

 

Viver dói!

Por que elas querem viver?

Por que umas acabam,

Mas outras tentam continuar à viver?

Viver dói!

Mas umas e outras não estão...

Prontas para acabar com isso”.

Thalita Hernesto, 26/11/2016.

Caminho dourado ao entardecer

Por Hiran de Melo

Jovem andarilha,

Ao longo do teu caminho, verás pessoas que chegam e partem, algumas que seguem adiante e outras que se perdem pelo trajeto. Isso não te tornará diferente delas, mas profundamente humana. Todos caminham lançados no mesmo mundo, atravessando o tempo como podem, cada um sustentando o próprio passo do modo que lhe é possível.

Viver não te foi entregue como promessa de felicidade contínua, nem como um roteiro seguro. Viver é exposição. É carregar o peso de existir sem garantias, sentindo a dor que acompanha quem está desperto para o próprio ser. Quando doer — e doerá — não interpretes isso como sinal de fracasso, mas como prova de que estás verdadeiramente presente.

Alguns chamam de força aquilo que, na verdade, é apenas permanência. Seguir em frente nem sempre é vencer; muitas vezes é apenas não desistir hoje. E isso já basta. Não porque o amanhã seja certo, mas porque enquanto há tempo, ainda há possibilidade. Mesmo confusa, mesmo silenciosa, mesmo sem nome.

Sozinha, não caminhas, ainda que o caminho pareça solitário. Cada passo teu ecoa no mundo que partilhas com outros andarilhos invisíveis, que também lutam para sustentar o próprio existir. Ao permaneceres, tu testemunhas — sem palavras — que a vida, apesar da dor, insiste em continuar aberta.

Não busques um sentido pronto. Ele não se entrega inteiro. Ele se deixa encontrar no próprio ato de caminhar, no cuidado com o passo seguinte, na coragem simples de permanecer sendo. A tua jornada não precisa ser heroica; basta ser verdadeira.

Segue. Mesmo cansada. Mesmo incerta. Enquanto caminhas, ainda estás viva — e isso, por si só, já é um gesto profundamente humano.

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