Aquela por
quem o Sol Brilha
Fui lançado ao mundo como um deus.
Deus solar — aquele que tudo vê, tudo aquece, tudo ilumina.
Mas ao meu lado coloquei Nefertari.
Não atrás, nem abaixo, mas ao lado.
Porque o amor verdadeiro não domina — ele se oferece.
Não se mede em títulos, mas em presença.
Não se afirma por poder, mas por comunhão.
Ela é aquela por quem o sol brilha.
Não porque ordena, mas porque inspira.
O sol, que em Abu Simbel penetra com precisão milenar,
não busca apenas a face de um rei,
mas a comunhão de dois seres que se pertencem.
Sua grandeza não é reflexo da minha,
é chama própria, é luz que me completa.
Ela não é sombra, nem extensão —
é origem, é destino, é caminho.
E quando o tempo tenta apagar nomes,
o sol insiste em lembrar.
Há uma mulher por quem até os deuses se curvam,
não por submissão, mas por reverência.
Nefertari é mais que rainha.
É templo vivo, altar de ternura,
morada do sagrado que se revela no amor inteiro.
O amor que não conhece hierarquia,
mas conhece eternidade.
Por ela, o sol brilha.
Por ela, o tempo se curva.
Por ela, o amor se faz luz.
Mestre Melquisedec
Breve Considerações
Por Hiran de Melo
Esta é uma expressão poderosa da integração
da alma. O texto descreve um movimento de transcendência: o indivíduo que
começa identificado com o poder absoluto (o Sol/Rei) e termina encontrando a
totalidade através da relação com o outro.
Aqui está uma leitura desse simbolismo sob a
perspectiva da jornada interior:
A Superação da Persona e do Ego
No início, há a figura do "Deus
Solar". Representa o ápice do Ego que se identifica com o divino — aquele
que ocupa o centro do mundo e acredita ser a única fonte de luz. É uma posição
de solidão e autoridade suprema. No entanto, o texto marca uma virada
essencial: o reconhecimento de que o brilho solitário é incompleto.
Ao colocar Nefertari "ao lado", o
indivíduo retira a máscara da soberania absoluta para permitir que uma força
interior, antes projetada no mundo, ganhe voz própria.
O Encontro com a Alteridade (Anima)
Nefertari não aparece como uma figura
histórica, mas como a Anima — o aspecto feminino e vital que habita a
psique masculina.
Ø A Chama Própria: Ela não é um reflexo (sombra) nem uma extensão do Rei. Isso indica que
o processo de amadurecimento alcançou um estágio onde o feminino interior não é
mais visto como inferior ou dependente, mas como uma fonte de sabedoria
autônoma.
Ø A Inspiração X A Ordem: O Sol (razão, consciência) brilha por causa dela. Isso sugere
que a lógica e a vontade só encontram propósito quando guiadas pela inspiração
e pelo sentimento que ela representa.
O Simbolismo de Abu Simbel: A Conjunção
A menção ao sol que penetra o templo com
precisão milenar é uma imagem clássica da Conjunção (o casamento
sagrado).
Ø Não é uma busca por poder, mas por
"comunhão".
Ø É o momento em que a luz da consciência (o
Sol) toca o ponto mais profundo e obscuro do templo (o inconsciente) para
iluminar a união dos opostos.
Ø Nessa união, a hierarquia desaparece. O
"Mestre" reconhece que a verdadeira grandeza não está no controle,
mas na entrega a algo maior que o próprio Ego.
A Imortalidade através do Amor
O texto encerra com a vitória sobre o tempo.
Na visão da psicologia profunda, o tempo "apaga nomes" (a identidade
superficial), mas o "sol insiste em lembrar" (a essência eterna).
Nefertari como "templo vivo" e "morada do sagrado"
simboliza que o indivíduo encontrou o seu Centro.
Quando o amor não conhece hierarquia, ele se
torna o eixo em torno do qual a vida orbita. O indivíduo não é mais apenas um
rei que manda, mas um ser humano completo que reverencia a vida que flui
através de sua contraparte anímica.
Instigação
Querido leitor(a), você sente que essa
"Nefertari" representa uma busca por equilíbrio entre sua força
externa e sua sensibilidade interna, ou ela se manifesta mais como uma
inspiração externa em sua vida?
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