O Amor que se Faz Luz

Ao sul do Egito, onde o Nilo repousa em silêncio, ergui Abu Simbel. Não como pedra fria, mas como coração pulsante: um templo que respira o ritmo do sol, um altar onde a eternidade se curva diante do amor.

Imagens colossais guardam a entrada, não como sentinelas de poder, mas como testemunhas de ternura. E quando a aurora desperta, os raios penetram o santuário, iluminando não apenas a minha imagem, mas também a promessa de que até um deus pode amar.

Em Tebas, o mistério se oculta entre colunas; Amon se esconde nas sombras, e o divino se revela apenas aos iniciados. Mas aqui, em Abu Simbel, o sol não se esconde: ele se entrega, invade, ilumina e consagra. É a revelação de que o amor não precisa de véus, pois sua verdade é clara como a luz que atravessa a pedra.

Ao meu lado, Nefertari, minha eterna companheira. Sua grandeza é igual à minha, porque o amor não conhece hierarquia, não se curva diante de coroas, não se mede em poder, mas em pertença. E nessa pertença, encontramos a eternidade.

Três milênios e mais se passaram, e ainda o sol cumpre sua promessa, retornando a cada ciclo para nos despertar. Não desperta apenas a memória de Ramsés, nem apenas a beleza de Nefertari, mas desperta o mundo para uma verdade: o amor humano pode ser divino.

Assim, Abu Simbel não rivaliza com Tebas, mas a complementa. Se Karnak é o templo do oculto, Abu Simbel é o templo da revelação. Se Amon se esconde nas colunas, Rá-Horakhty, que representa a fusão do deus Rá e do deus Hórus, se revela nos raios. E entre sombra e luz, entre silêncio e brilho, o amor se fez eterno.

Que os homens saibam, que os deuses escutem, que o universo inteiro testemunhe: o amor é soberano, o amor é claridade, o amor é pertença. E quando se ama com vigor, com entrega, com humanidade, esse amor se torna divino. Esse amor se torna luz.

Mestre Melquisedec

Breves Considerações

Por Hiran de Melo

O testemunho do Mestre Melquisedec no texto “O Amor que se Faz Luz” apresenta uma tessitura poética que une mito, história e espiritualidade em um só corpo narrativo. A voz que fala não é apenas a de Ramsés, mas a de um arquétipo humano-divino que encontra no amor a sua revelação.

ü  Dimensão simbólica: Abu Simbel é descrito não como monumento de poder, mas como templo vivo, pulsante, que respira o ritmo do sol. Essa inversão de perspectiva desloca o olhar da grandiosidade política para a intimidade espiritual.

ü  Contraste entre oculto e revelado: Tebas é o espaço do mistério, do divino velado; Abu Simbel, ao contrário, é o lugar da transparência, onde o sol se entrega sem véus. Essa oposição sugere que o amor é a face revelada do divino, acessível a todos.

ü  Hierarquia dissolvida: A presença de Nefertari ao lado de Ramsés é apresentada como igualdade. O amor não conhece hierarquia, não se curva diante de coroas. Aqui, o texto transcende a lógica do poder e afirma a lógica da pertença.

ü  Temporalidade sagrada: O ciclo solar que, por três milênios, continua a iluminar o templo, é símbolo da fidelidade do cosmos ao amor. O tempo não destrói, mas confirma a eternidade da união.

ü  Universalidade: O amor humano é elevado à condição divina, não por negar sua humanidade, mas por vivê-la em plenitude. O texto sugere que o divino não é distante, mas imanente ao gesto humano de amar.

Síntese na Visão Contemplativa

O texto é uma meditação sobre o amor como revelação. O templo não é apenas pedra, mas coração; não é apenas memória, mas promessa. O sol que penetra Abu Simbel é metáfora da luz que atravessa o ser humano quando ama sem véus. O amor, vivido em pertença e igualdade, torna-se divino porque é a própria claridade que sustenta o cosmos.

ANEXO: Possível interpretação da Imagem Ilustrativa

Ela traduz visualmente o espírito do texto “O Amor que se Faz Luz”: Abu Simbel ao amanhecer, com os raios solares penetrando o templo e iluminando as figuras colossais de Ramsés II e Nefertari. A cena mistura sombra e claridade, sugerindo que o amor é revelação, pertença e eternidade.

Elementos simbólicos presentes na imagem:

ü  O sol nascente como metáfora da entrega e da consagração.

ü  As estátuas colossais não como guardiãs de poder, mas como testemunhas de ternura.

ü  A fusão entre sombra e luz, evocando o contraste entre Tebas (mistério) e Abu Simbel (revelação).

ü  A presença de Ramsés e Nefertari lado a lado, simbolizando igualdade e pertença no amor.

Essa composição visual reforça a contemplação proposta no texto: o amor humano que se torna divino, o amor que se faz luz.


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