O
Desvelamento e a Jornada Maçônica
Por
Hiran de Melo
Introdução
Na
vida cotidiana, muitas vezes nos deixamos conduzir pelo senso comum, pelas
opiniões prontas e pelo excesso de informações superficiais. Esse ambiente cria
uma espécie de véu que encobre o verdadeiro sentido da existência. O desvelamento é justamente o ato de
retirar esse véu, de abrir espaço para que a verdade apareça não
como mera informação, mas como experiência vivida.
Para
o Maçom, compreender o desvelamento é essencial: trata-se de reconhecer que a
busca pela luz não é apenas simbólica, mas também prática, ligada ao modo como
cada Irmão habita o mundo e constrói sua trajetória.
A Pedra Bruta e o Véu da Inautenticidade
A
Pedra Bruta representa o homem em seu estado inicial, ainda marcado pelas
influências externas e pela repetição automática das ideias da massa. Quando o
indivíduo se deixa moldar apenas pelo que os outros dizem ou pensam, sua vida
permanece encoberta, sem autenticidade.
O
trabalho maçônico de desbaste é, portanto, um exercício de desvelamento:
retirar as camadas de superficialidade, cortar os excessos e revelar a forma
verdadeira que estava escondida. É um chamado para que o Irmão assuma a
responsabilidade pelo seu próprio ser e não se conforme com a mediocridade
coletiva.
O Templo como Clareira
O
desvelamento também pode ser entendido como a abertura de uma clareira em meio
à floresta. Na escuridão da vida profana, marcada pelo ruído e pela dispersão,
o Templo Maçônico oferece silêncio e ordem. É nesse espaço que a luz pode
aparecer, permitindo que o Irmão veja além das aparências.
Os
rituais, símbolos e ensinamentos não são meras tradições: eles funcionam como
instrumentos que retiram o véu da ignorância e revelam o sentido profundo da
existência. O desvelamento, nesse contexto, é a passagem da confusão para a
clareza, da sombra para a luz.
O Perigo da Técnica e o Valor do Rito
Vivemos
em um tempo em que tudo é medido por números, métricas e curtidas. Essa lógica
transforma a vida em estatística e o ser humano em recurso. O desvelamento nos
alerta contra esse perigo: não somos apenas dados ou engrenagens, mas seres que
precisam de sentido.
A
Maçonaria, ao insistir no rito e no símbolo, preserva o pensar meditativo.
Enquanto o mundo corre atrás da produtividade e da velocidade, o Maçom é
convidado a desacelerar, refletir e contemplar. O desvelamento aqui é a recusa
de reduzir a vida a cálculos, abrindo espaço para o cuidado com o caráter e com
a obra interior.
O Caminho da Luz
O
desvelamento é, em última instância, a revelação de que a vida não deve ser
vivida como peso ou como repetição, mas como criação e pertencimento. Para o
Maçom, isso significa compreender sua finitude e, ao invés de se perder na
dispersão do mundo profano, dedicar-se à construção de uma obra que tenha
sentido permanente.
A
jornada maçônica é, portanto, um processo contínuo de retirar véus: da
ignorância, da superficialidade, da pressa e da mediocridade. Cada passo dado
em direção à luz é um ato de desvelamento, que transforma o Irmão em presença
significativa no mundo.
Por fim
O
conceito de desvelamento nos ensina que a verdade não é algo que se possui, mas
algo que se revela quando criamos espaço para ela. O Maçom, ao trabalhar sua
Pedra Bruta e participar dos rituais, aprende a abrir clareiras em sua própria
existência. Assim, o desvelamento torna-se não apenas uma ideia, mas uma
prática diária: viver com autenticidade, coragem e sentido, iluminando a si
mesmo e à comunidade.
Leitura recomendada:
O Império da Mediocridade à Luz
da Maçonaria e da História – LuCaS, publicado no grupo de WhatsApp “1 -ILPB ”,
em 16/01/2026.

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