Magia Pura

Por Hiran de Melo

Na insônia que me prende em silêncio,
o corpo enfim cedeu ao cansaço,
e no sonho surgiu — bruma e claridade —
uma fada vestida de sombra e neve.

Não trazia coroa, mas reinava em aura,
acolheu-me num abraço sem tempo,
e seus olhos, rios de luz intensa,
penetraram fundo, pousando o coração.

Um instante breve, mas infinito,
como faísca que explode e se dissolve,
delta de Dirac em pura emoção.

Despertei só, mas não vazio:
o sol abriu um olhar humano,
e a magia ficou, intacta, pura.

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