Magia Pura
Por Hiran de Melo
Que
boa e grata surpresa. Consegui adormecer por cansaço, dentre tantas,
inumeráveis, infinitas noites de insônia.
Recentemente,
por cansaço absoluto, meu corpo adormeceu e sonhei. Sonhei de uma forma
adolescente, extremamente adolescente. De repente apareceu uma fada. Ela veio
na bruma, veio de dentro das brumas. Apareceu alva, alva como a neve e, por
contraste, vestida de um manto preto.
Não
tinha coroa, mas tinha uma aura de princesa. Era, de fato, uma fada. E me
acolheu nos seus braços. E foi nesse acolhimento, nesse abraço, que eu me senti
total, amado e protegido. Um abraço tão bom, tão compensador das noites mal
dormidas ou sem dormir.
E,
apesar de ela estar me abraçando, de estar dentro do abraço, eu conseguia ver
os olhos da fada. Os olhos me penetravam, habitavam minha mente, possuíam minha
alma. E lá, no centro do meu ser, ela pousou o coração.
Um
instante que, ao mesmo tempo que finito, curto, curtíssimo, tinha um impulso
alto, altíssimo. Era como se fosse um delta de Dirac. Uma pulsão forte, curta e
muito intensa.
Eu,
que reclamava tanto das noites de insônia, desta vez estava a nada dizer, a
nada reclamar. Ao contrário, estava a agradecer por elas terem me proporcionado
esse instante de magia, de profunda calma, de não querer nunca mais deslaçar.
Foi
muito bom, foi bom assim: senti meu corpo sendo penetrado por ela. Ela não só
habitava minha alma, habitava meu corpo também. Era pura magia, pura magia.
Magia pura.
E
tudo que ouvi foi uma voz suave, sem pressa, pedindo doce e água.
Depois
acordei sozinho, como de costume, dentro da minha rede da algodão organicamente
colorido de marrom. A rede tecida de fibras de diferentes tons desta cor.
A
noite especial se foi como chegou: sem avisar. O sol iluminou o meu olhar, era
uma nova manhã, um novo dia… um novo e profundo olhar mais que divino,
exatamente humano.
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