A Esperança Onde Habita a Eternidade

Por Hiran de Melo

Quando menino, embora já não tão menino, conheci o mar pela primeira vez. Devia ter mais de oito anos. Entre tantas descobertas, havia uma que me fascinava mais do que o próprio oceano.

Eu cavava a areia.

Com as mãos pequenas construía uma piscina. Bastava retirar um pouco da areia e, como por um milagre silencioso, a água brotava do fundo. Era um pequeno espelho cercado por muros de areia. Uma obra frágil, inteiramente minha.

Hoje penso que toda infância é um exercício de arquitetura da esperança.

Embora o oceano inteiro estivesse diante de mim, eu preferia aquela pequena piscina. Ela me dava a ilusão de possuir um pedaço do infinito. Enquanto o mar era de todos, aquela pequena porção de água parecia pertencer apenas ao meu coração.

Então o tempo começava sua lenta liturgia.

Naquele tempo eu acreditava que era o Sol quem caminhava ao redor da Terra. Via sua luz deslocar-se lentamente e, junto dela, percebia as ondas se aproximando. O mar vinha sem pressa, como quem conhece o destino de todas as coisas.

Até que chegava o momento inevitável.

A onda atravessava os pequenos muros de areia.

Minha piscina deixaria de existir.

Ou talvez nunca tivesse deixado de ser oceano.

Eu precisava sair dali, porque ainda não sabia nadar. O mar, que antes parecia distante, tornava-se grande demais para minhas pequenas certezas.

Durante muitos anos continuei repetindo esse ritual.

Construí piscinas com meus filhos quando ainda eram pequenos. Depois, quando cresceram. Imagino fazendo o mesmo com meus netos. Quem sabe um dia meus bisnetos também descubram essa alegria simples de cavar a areia para ver a água nascer.

Talvez toda família seja isso: uma sucessão de mãos construindo aquilo que já sabem ser passageiro.

Nunca fiz uma piscina acreditando que ela permaneceria.

E, curiosamente, isso jamais diminuiu a alegria de construí-la.

Ao contrário.

Era justamente sua fragilidade que lhe dava beleza.

Foi somente muito mais tarde que compreendi que aquela brincadeira era uma metáfora da própria existência.

Tudo o que construímos é semelhante às piscinas da infância.

A juventude desaparece.

Os cabelos escurecem e depois embranquecem.

A força dos músculos cede lugar à serenidade dos passos.

A bicicleta que um dia prometia atravessar o mundo repousa silenciosa na garagem, aguardando pneus cheios e um corpo que talvez já não possua o mesmo fôlego de antes.

As casas envelhecem.

As tintas desbotam.

Os templos racham.

As cidades mudam.

As ideias transformam-se.

Até a maneira como chamamos Deus amadurece com o tempo.

Tudo muda.

Tudo flui.

Heráclito talvez tivesse razão ao dizer que ninguém entra duas vezes no mesmo rio. Não porque o rio desapareça, mas porque tanto ele quanto nós já somos outros quando voltamos a encontrá-lo.

A permanência é apenas uma delicada ilusão dos nossos olhos.

O universo inteiro parece respirar nesse ritmo de nascimento e despedida.

Nada permanece exatamente igual.

Nem mesmo nossas dores.

Nem mesmo nossas alegrias.

Nem mesmo nossas certezas.

Há quem afirme que somente o absoluto permanece. Outros dirão que até nossas imagens do absoluto são provisórias. Talvez o paraíso não seja um lugar distante, mas um estado da consciência reconciliada consigo mesma. Talvez o inferno não seja um castigo futuro, mas a incapacidade presente de encontrar sentido na própria existência.

Talvez.

A filosofia oferece perguntas.

A vida responde apenas com experiências.

E foi justamente contemplando essa impermanência que comecei a perceber algo extraordinário.

Existe uma realidade que nunca encontrei envelhecida.

A esperança.

Ela atravessou todas as minhas idades.

Habitou a criança que fazia piscinas na areia.

Habitou o jovem que sonhava percorrer o mundo.

Habitou o pai.

Habita o avô.

Habitará, se Deus permitir, o bisavô que já sou.

A esperança nunca envelheceu comigo.

Ela apenas mudou de linguagem.

Quando menino, esperava o brinquedo.

Na juventude, esperava o futuro.

Na maturidade, esperava realizar sonhos.

Hoje, espero tornar-me alguém mais humano do que fui ontem.

Percebo então que a esperança não espera apenas acontecimentos.

Ela espera transformações.

Ela não nasce porque o amanhã será necessariamente melhor.

Ela nasce porque o coração continua acreditando que pode tornar-se melhor.

Essa é sua natureza.

A esperança não depende das circunstâncias.

Depende da capacidade da alma de continuar dizendo "sim" à vida, mesmo quando tudo ao redor parece dizer "não".

Por isso ela resiste onde tantas certezas fracassam.

Enquanto tudo pertence ao tempo, a esperança pertence à eternidade.

Ela é o único pedaço do infinito que conseguimos carregar dentro de nós.

Talvez por isso nenhuma perda consiga destruí-la completamente.

Nenhuma idade consiga envelhecê-la.

Nenhuma despedida consiga sepultá-la.

Porque a esperança não é uma expectativa.

É uma forma de habitar o mundo.

É a eternidade respirando dentro do instante.

Talvez seja esse o maior mistério da existência.

As piscinas desaparecem.

As ondas permanecem.

Nós passamos.

O amor permanece.

O tempo dissolve quase tudo o que construímos.

Mas há algo que continua cavando silenciosamente dentro da alma humana, fazendo brotar uma água que não seca.

É ali que mora a esperança.

E onde a esperança habita, a eternidade já começou.


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