O Jardim de Todos Nós Ser Ponte ou Ser Escada Divagações de uma alma com a memória fragmentada (e as pernas bambas) Por Hiran de Melo Existe uma pergunta que raramente fazemos a nós mesmos: fomos feitos para chegar, ou fomos feitos para conduzir? Carrego em mim a estranha e inescapável natureza de ser ponte. Nunca fui destino. Uma ponte não guarda quem passa por ela — apenas sustenta o peso do outro até que ele encontre a própria margem. E talvez seja essa, afinal, a vocação mais silenciosa e menos celebrada entre as vocações humanas: a de servir de passagem para o lugar onde o outro quer chegar, sem nunca ali colocar os próprios pés. Foi assim desde os quinze anos. A facilidade quase natural com os números me adotou antes que eu a escolhesse, e me tornou professor de reforço muito antes de eu saber o que queria ser. O que parecia trabalho passageiro tornou-se destino — ou melhor: tornou-se a negação de todo destino próprio, porque me fixou como caminho para o destino alhei...
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Mostrando postagens de agosto, 2026
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O Jardim de Todos Nós As Folhas em Branco e as Marcas do Tempo Por Hiran de Melo Duas pessoas se encontram e, em algum momento, decidem viver uma história de amor. No começo, tudo parece possível. Há uma folha em branco diante de cada uma. O papel ainda não conhece as palavras que serão escritas, nem as lágrimas que poderão cair sobre ele. Não existem rasuras, manchas ou dobras. Há apenas o espaço aberto das possibilidades. E então começam a escrever. Escrevem com os encontros, com os abraços demorados, com as palavras ditas ao ouvido, com os pequenos gestos que quase ninguém percebe, mas que o coração guarda. Escrevem com os sonhos compartilhados e com a esperança de que duas histórias possam, por algum tempo, transformar-se em uma só. Mas a vida não é feita apenas de encontros. Também existem os desencontros. Há palavras que ferem. Silêncios que castigam. Ausências que deixam marcas. Expectativas que não são correspondidas. Promessas que não se cumprem. E, a...
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O Jardim de todos nós A Palavra encontrada Por Hiran de Melo Existe uma palavra que eu não aprendi na infância, nem quando era menino, nem na adolescência. Na juventude, tampouco. Atravessei a vida inteira sem conhecê-la em sua plenitude. O que me acompanhou em todas as jornadas, lutas e batalhas tinha um nome só: medo . Medo de sofrer, medo de ser atropelado, medo de ser traído — medo de quase tudo. E quando o medo se afastava, vinha a coragem . Aquela coragem de quem mergulha ignorando o perigo, ou de quem mergulha porque não há outra escolha senão seguir. Diante do abismo, faltava-me medo — e eu me jogava. Não por bravura, talvez por atração. E assim foi: o abismo da escola, da universidade, do ensinar o que não se sabe, do tentar responder à vida da melhor forma possível — não para todos, mas para mim, com o que eu tinha. Até que, recentemente, descobri a palavra que nunca me foi dita. Antes dela, havia algo parecido: paixão . A paixão me empurrava para o abismo —...